XXVI Congresso Nacional de Pós-graduandos

Entre os dias 29 de Junho à 01 Julho de 2018, ocorreu na cidade de Brasília-DF o XXVI Congresso Nacional de Pós-graduandos (CNPG), que contou com a presença de aproximadamente 300 pós-graduandos oriundos de 72 instituições de ensino e/ou pesquisa de 20 estados brasileiros. O evento foi sediado na Universidade de Brasília (UnB) e encerrado na Fundação de eventos científicos e tecnológicos (Finatec).

Foto: Instituto Central de Ciências (ICC), também conhecido como minhocão, principal prédio acadêmico da Universidade de Brasília, sede inicial do XXVI CNPG.

O Congresso Nacional de Pós-graduandos é a instância máxima deliberativa da entidade representativa dos pós-graduandos (Associação Nacional dos Pós-Graduandos – ANPG), ocorre ordinariamente a cada 24 meses e é composta por membros delegados votantes e membros observadores suplentes não votantes, eleitos em suas universidades de origem para representação estudantil durante o congresso. O tema deste ano foi ‘Em defesa da ciência, da universidade e do Brasil: o que é público não se vende!’, trazendo como pauta debater e deliberar sobre teses, moções, recomendações e propostas apresentadas pelos associados, além das ações a serem desenvolvidas pela entidade durante o próximo biênio e a eleição da nova diretoria.

Da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, foram eleitos por maioria simples de votos no sistema eletrônico ‘Helios’ um total de 36 representantes dos pós-graduandos (18 delegados e 18 suplentes) dos quais, 18 foram capazes de atender ao XXVI CNPG, sendo destes, quatro membros da Associação de Pós-Graduandos local (APG/USPRP).

Foto: Representantes eleitos para participação no XXVI CNPG representando a USP – Ribeirão Preto.

Tabela: Lista dos representantes discentes da USP-RP no CNPG.

Aluno Unidade Programa
Stephanya Covas da Silva FMRP Clínica Cirúrgica
 Pâmella  da Silva Beggiora FMRP Clínica Cirúrgica
Marcilio Jorge Fumagalli FMRP Imunologia Básica e Aplicada
Marcelo Donizeti Silva EERP Enfermagem Fundamental
Talita Menossi Cotrim EERP Tecnologia e Inovação em Enfermagem
Debora Munhoz Rodrigues FCFRP Produtos Naturais e Sintéticos
Karine Pereira Rodrigues EEFERP Atividade Física e Esporte
Maria Valdeline Sousa Teixeira FCFRP Produtos Naturais e Sintéticos
Marjorie Cornejo Pontelli FMRP Biologia Celular e Molecular
Ítalo de Araújo Castro FMRP Biologia Celular e Molecular
Camila Araujo Bernardino Garcia FMRP Clínica Cirúrgica
Julio Alves da Silva Neto FMRP Farmacologia
Victor Pena Ribeiro FCFRP Produtos Naturais e Sintéticos
Adriany Dias Fonseca FCFRP Produtos Naturais e Sintéticos
Danielle Batista Cardoso FFCLRP Educação
Tábata Elise Ferreira Cordeiro FFCLRP Biologia Comparada
Laís Aparecida Forner FFCLRP Física Aplicada à Medicina e Biologia
Jéssica Fernanda Corrêa Cordeiro EERP Enfermagem Fundamental

Primeiro Dia

O evento trouxe como mesa de abertura o tema ‘Ser mulher na academia: Realidade e desafios’ e contou com a participação da Dra. Sônia Guimarães, primeira mulher negra professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que decorreu sobre exemplos de superação e preconceitos enfrentados por mulheres no meio acadêmico. A sessão ainda contou com depoimentos emocionantes de participantes da plateia, que relataram suas experiências com assédio à mulheres, preconceito de gênero e as dificuldades de ser mãe durante a pós-graduação.

Foto: Mesa de abertura do encontro com a participação de Sônia Guimarães.

Vídeo: Sônia Guimarães durante o CNPG.

Ainda no primeiro dia, o evento realizou uma roda de debate sobre desafios da mulher nas pós-graduação, abordando o tema Maternidade, Machismo, Racismo e Assédios. O debate constou com a presença de Helena Augusta, presidenta da Associação de Pós-graduandos da UnB e principal desenvolvedora do inquérito epidemiológico sobre saúde mental dos pós-graduandos desta universidade. Seu levantamento contou com a participação de mais de 630 estudantes da pós e revelou que casos de ansiedade, desânimo, irritabilidade, tristeza e isolamento social, entre outros transtornos, não são isolados, e sim sistêmicos dentro da universidade. Sua pesquisa revelou um dado alarmante: a taxa de estudantes que pensam em suicídio com frequência diária a uma vez por semana chega a 9,83% na UnB. O resumo dos resultados desse levantamento podem ser visualizados na integra aqui.

Vídeo: Assédio na Pós-graduação.

O debate levantou alternativas físicas e mentais para cuidados da saúde dos pós-graduandos, incluindo as seguintes sugestões para deliberação em plenária final:

  1. Aplicação de questionário sobre a saúde física e mental dos pós-graduandos a nível nacional;
  2. Flexibilização de datas e prazos para gestantes e mães pós-graduandas;
  3. Demanda de atendimento psicológico nas universidades;
  4. Fortalecimento do vínculo como prevenção da saúde mental;
  5. Levantamento de propostas para saúde das mães, a ser realizado por cada APG a nível de sua universidade;
  6. Busca por tratamentos alternativos para saúde, tais como, massoterapia e acupuntura, dentro do contexto universitário;
  7. Maior integração das APGs com ANPG;
  8. Desenvolvimento do Centro de Valorização da vida (CVV) para universidades;
  9. Realização de seminários locais e nacionais sobre saúde mental e assédio na pós-graduação.

Foto: Grupo de debate sobre desafios das mulheres na pós-graduação. Destaque para Helena Augusta (Cachecol Rosa) que presidiu a roda.

Vídeo: Como é ser mulher na Pós-graduação?

Abertura Oficial CNPG

Foto: Marjorie e Tábata, as lindas representantes da USP – Ribeirão Preto, na abertura oficial do CNPG.

Ao final do primeiro dia, tivemos a abertura oficial do CNPG, que teve a mesa presidida pela então presidenta vigente da ANPG, Tamara Naiz, e contou com presenças ilustres, tais como:

Mário Neto Borges – Atual presidente do CNPq;
Márcia Abrahão – Atual reitora da UnB;
Maria Emília T Walter – Atual coordenadora Centro-Oeste do fórum nacional de Pró-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (FOPROP);
Helena Shimitzo – Decana de Pesquisa e Pós-graduação da UnB;
Fernanda Antônia da Fonseca Sobral – Conselheira da área C (Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC);
Marianna Dias – Atual presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE);
Yuri Nathan da Costa Lannes – Atual presidente da Federação Nacional dos Pós-graduandos em Direito (FEPODI);
Marcio Cristiano de Melo – Vice presidente da ANPG;
Luiza Rangel – Presidenta ANPG 2006 – 2007;

A todos foram reservados um momento de discurso durante a abertura, dos quais ressaltamos:

Marianna Dias (UnE): discorreu sobre a importância do movimento estudantil frente a defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. “O Congresso da ANPG chega em um momento que precisamos nos perguntar: qual é o papel da universidade frente as dificuldades e os muitos problemas sociais do nosso povo? A ciência e a tecnologia deve estar a serviço do povo do nosso país.  A academia que queremos é uma academia popular a serviço dos avanços sociais”;

Mário Neto (CNPq):  ressaltou que a soberania nacional só pode ser alcançada com avanços científicos, salientando a importância do CNPG para fomentar o desenvolvimento do Brasil. O Presidente do CNPq ainda usou de um exemplo um pouco controverso sobre a nossa querida Virologia, dizendo “Nós precisamos fazer que essa Ciência brasileira gere riqueza e ajude a resolver os problemas nacionais como já foi citado aqui. Não basta produzir artigos, a comunidade científica é capaz de dar essa contribuição. O vírus da Zika é um exemplo. Nossa mobilização com diversas entidades conseguiu equacionar o problema em 1 ano e meio”.

Márcia Abrahão (UnB): acrescentou que o CNPG é um evento muito bem vindo e que a UnB está de portas abertas. “É muito simbólico receber o Congresso da ANPG aqui na UnB. No período da ditadura chegamos a ter metade do nosso quadro de professores demitidos. A nossa instituição tem uma bonita história de resistência e neste momento é muito importante que a nossa pesquisa nas universidades cheguem de uma forma mais simples para a sociedade. O nosso papel é fundamental para o desenvolvimento do Brasil, mas não basta falarmos isso para nós mesmos”.

Foto: Mesa de abertura do XXVI congresso nacional de pós-graduandos.

Segundo Dia

O segundo dia do CNPG foi marcado pela realização dos Grupos de Discussão (GDs) sobre direitos dos pós-graduandos. Os temas abordados foram divididos em:

GD 1 – Direitos Estudantis, trabalhistas e previdenciários;
GD 2 – Assédio e adoecimento na pós-graduação;
GD 3 – Ações afirmativas na pós-graduação;
GD 4 – Lato Sensu e Stricto Sensu profissional;
GD 5 – Desafios do Movimento Nacional de Pós-graduandos (MNPG);

Vídeo: Segundo dia CNPG

Os grupos reuniram os pós-graduandos presentes para debates sobre os temas de interesse, discutindo ideias e sugestões para compor as propostas a serem encaminhadas para deliberação em plenária final e estabelecer as atividades a serem desenvolvida pela ANPG nos próximos 2 anos de mandato.

O GD 1, de direitos estudantis, trabalhistas e previdenciários, contou com a presença de Adalberto Grassi Carvalho, diretor de programas e bolsas do CNPq, que dentre algumas das discussões realizadas, reafirmou a posição contrária da CAPES quanto a taxação (contribuição previdenciária) das bolsas de estudos dos pós-graduandos, justificando que tal taxação, apesar de garantir direitos trabalhistas aos estudantes, reduziria de modo drástico o valor recebido. Segundo ele, no cenário atual, a CAPES está impossibilitada de cobrir valores taxados e manter o atual valor da bolsa recebido pelos estudantes, “frente a uma possível taxação previdenciária, ou podemos reduzir o número total de bolsas para manter o mesmo valor de gratificação ou manter a quantidade de bolsas e reduzir o valor da gratificação”.

Carvalho acrescentou, ainda, que a CAPES é apenas uma ferramenta, gestora das bolsas dos estudantes, sendo o Ministério da Educação o responsável pelos cortes de verbas. A crise financeira na ciência brasileira é agravada pelos recentes cortes na saúde e educação, impostos pela PEC 241, que prevê o congelamentos dos gastos públicos em até 20 anos.

Foto: Grupo de Discussão dos Direitos estudantis, Trabalhistas e Previdenciários, destaque para Adalbeto Grassi (de azul).

As discussões desenvolvidas neste grupo levaram ao desenvolvimento de algumas propostas levadas para deliberação, dentre elas:

1 –  Lutar pelo reconhecimento de status híbrido para o Pós-graduando, não apenas como estudante, mas também como trabalhador;
2 – Não permitir que a seleção nos editais de fornecimento de bolsas fique a critério do orientador ou do programa, mas sim de edital específico estabelecido pela CAPES;
3 – Estabelecer contribuição previdenciária facultativa;
4 – Lutar pelo recebimento da 13ᵒ bolsa;

Ainda durante o segundo dia, foram realizadas apresentações de mostras científicas de trabalhos desenvolvidos pelos pós-graduandos.

Terceiro Dia

O último dia do CNPG foi marcado pela plenária final, que ocorreu na Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), com o objetivo de votar as monções de assuntos destacados pelos pós-graduandos e as propostas debatidas durante os grupos de discussão, que incluíram:

  1. Direitos estudantis, trabalhistas e previdenciários;
  2. Ações afirmativas na pós-graduação;
  3. Desafios do movimento nacional de pós-graduação (MNPG);
  4. Assédio e adoecimento na pós-graduação
  5. Fórum de educação básica;
  6. Fórum de divulgação científica;

Foto: Plenária Final

Ainda durante a plenária final, foi realizada a leitura e deliberação da ‘Carta política do XXVI CNPG’ e da ‘Carta da Saúde’, que constam de proposta a serem levas à Câmara dos Deputados, passíveis de se tornarem Projetos de Leis. Foi também lançada a campanha da previdência para pós-graduandos e a cartilha de orientação contra o assédio moral.

Eleições

Como deliberação final do CNPG, foram lançadas as candidaturas de duas chapas concorrentes a direção da ANPG, a chapa 1 – ‘Amanhã vai ser Maior’, candidatos de oposição a atual direção da ANPG, e a chapa 2 – ‘Vamos à luta’, que constou como candidata a presidência Flávia Calé, mestranda em História Econômica na USP-Capital, sendo ainda constituída por alguns membros da atual direção da ANPG, incluindo a então presidenta, Tamara Naiz, e o então vice-presidente, Marcio Cristiano. Após votação secreta realizada através de cédulas pelos delegados presentes, a chapa 2 foi eleita por maioria simples de 234 votos, contra 51 da chapa 2, para cumprir o mandato de 2018 – 2020 a frente da ANPG.

Foto: Flávia Calé, nova presidenta da ANPG.